27 de out. de 2010

Saudade

Nossos pais descobrem que um ser está para nascer e trazer as suas vidas um brilho de luz. 
Nos tornamos adolescentes e a busca pela independência é cada vez mais clara.
A nossa vontade de conquistar espaço nos distância de quem sempre nos amará.
Esquecemos de dizer o quanto os amamos. Mas um dia nossos entes queridos se vão. 
Quando menos esperamos e sem nenhum aviso, Deus tira de nós o que mais amamos.

Em nosso peito apenas a dor de um punhal que a cada "meus pêsames" parece pesar. 
Nossos pensamentos divulgam a culpa de nunca ter dito: "te amo"; "preciso de você" ; "estou sempre aqui" ; "me preocupo", E como se não bastasse vem à frase mais forte " a culpa foi minha" . 
Nossos sonhos caem por terra, nossa independência parece perder a importância. 
E a resposta para essa dor? O tempo e uma certeza: Quando amamos transmitimos em pequenos atos e gestos, e as palavras não importam mais; quando precisamos de alguém, sentimos sua presença, e as palavras não têm mais sentido; quando nos sentimos sós e abandonados, surge uma palavra ou um gesto e descobrimos que nunca estaremos sós.

E a culpa? A culpa é da vida que tem inicio, meio e fim. A nossa culpa está apenas em amar tanto e sentir tanto perder alguém. Mas o tempo é remédio e nele conquistamos o consolo, com ele pensamos nos bons momentos. E com um pouco mais de tempo, transformamos nossos entes queridos em eternos companheiros. Nossos sonhos ganham aliados, nossa independência ganha acompanhantes, nossa vida conquista anjos. E no fim apenas a saudade e uma certeza: Não importa onde estejam, estarão sempre conosco.

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